Por que seguir uma planilha de corrida?

Correr sem planejamento funciona no início, mas rapidamente leva a estagnação, overtraining ou lesão. Uma planilha de treino resolve esses três problemas ao oferecer:

  • Progressão controlada: o volume aumenta gradualmente, respeitando os limites do corpo.
  • Variedade de estímulos: diferentes tipos de treino desenvolvem diferentes capacidades (aeróbica, velocidade, resistência).
  • Recuperação planejada: semanas de redução de volume permitem que o corpo se adapte antes de progredir.
  • Objetivo claro: toda planilha aponta para uma meta — uma prova, um tempo, uma distância.

Os 4 princípios fundamentais do treinamento

1. Progressão gradual

O volume de treino (quilometragem semanal) deve aumentar no máximo 10% por semana. Aumentos maiores elevam significativamente o risco de lesão. Se você corre 20 km por semana, na próxima semana não deve ultrapassar 22 km.

2. Especificidade

O treino deve ser específico para o objetivo. Se você quer correr uma meia maratona, precisa de treinos longos que cheguem perto da distância da prova. Se quer melhorar o pace nos 5 km, precisa de intervalados em ritmo forte.

3. Recuperação

O corpo não fica mais forte durante o treino — fica mais forte durante a recuperação. Sem descanso adequado, o treino causa fadiga acumulada ao invés de adaptação. A cada 3-4 semanas de progressão, inclua uma semana com volume reduzido (60-70% do volume normal).

4. Polarização

Corredores de sucesso seguem a regra 80/20: 80% do volume de treino em ritmo leve (zona 2), 20% em ritmo moderado a forte. Isso parece contraintuitivo, mas treinar leve na maior parte do tempo permite que os treinos intensos sejam realmente intensos — e é a combinação dos dois que gera evolução.

Tipos de treino e seus objetivos

Corrida leve (easy run)

Objetivo: construir base aeróbica, recuperação ativa, acumular volume.

Como: ritmo conversacional, sem esforço. Deve ser 70-80% do volume semanal.

Exemplo: 30-45 min em pace confortável (1:30-2:00 min/km mais lento que pace de prova).

Treino de ritmo (tempo run)

Objetivo: melhorar o limiar anaeróbico — o ritmo que você consegue sustentar por 40-60 minutos.

Como: 20-30 min em esforço "confortavelmente desconfortável". Falar frases curtas, não conversas.

Exemplo: aquecimento 10 min + 20 min no ritmo + desaquecimento 10 min.

Intervalado

Objetivo: desenvolver VO2 máximo, velocidade e economia de corrida.

Como: repetições curtas (200m-1km) em ritmo forte, com recuperação entre elas.

Exemplo: aquecimento 10 min + 6x800m forte com 90s de trote + desaquecimento 10 min.

Corrida longa (long run)

Objetivo: resistência, adaptação articular, eficiência metabólica.

Como: a corrida mais longa da semana, feita em ritmo lento e constante.

Exemplo: 60-90 min (ou mais, dependendo do objetivo) em pace leve.

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Estrutura de uma semana de treino

Aqui está um exemplo de semana para um corredor intermediário treinando para 10 km, com 4 dias de treino:

  • Segunda: Descanso ou cross-training (fortalecimento, bicicleta, natação)
  • Terça: Corrida leve — 6 km em ritmo confortável
  • Quarta: Intervalado — aquecimento + 6x600m forte + desaquecimento
  • Quinta: Descanso
  • Sexta: Treino de ritmo — aquecimento + 20 min no ritmo + desaquecimento
  • Sábado: Corrida longa — 10-12 km em ritmo lento
  • Domingo: Descanso

Esta estrutura segue a regra 80/20: dos 4 treinos, 2 são leves/longos (volume em ritmo baixo) e 2 são de qualidade (intervalado + ritmo). O volume total da semana seria cerca de 28-30 km.

Periodização: como organizar semanas e meses

A periodização é a organização do treino em blocos ao longo do tempo. Uma estrutura clássica:

Fase de base (4-6 semanas)

Foco em construir volume aeróbico. Treinos majoritariamente leves, com aumento progressivo da quilometragem. Pouco ou nenhum treino de intensidade.

Fase de construção (4-6 semanas)

Introdução de treinos de qualidade (intervalados, ritmo) mantendo o volume construído. Volume semanal estabiliza ou cresce lentamente.

Fase de afiação (2-3 semanas)

Manutenção da intensidade, mas com redução gradual do volume. Os treinos de qualidade ficam mais curtos e mais rápidos. O corpo se recupera e "afina" para a prova.

Taper (1-2 semanas)

Redução significativa do volume (40-60%). O objetivo é chegar descansado ao dia da prova. A intensidade se mantém, mas em doses menores.

Regra dos 10%: como aplicar

Se sua quilometragem semanal atual é de 25 km:

  • Semana 1: 25 km
  • Semana 2: 27,5 km (+10%)
  • Semana 3: 30 km (+10%)
  • Semana 4 (recuperação): 21 km (-30%)
  • Semana 5: 30 km (retoma o pico anterior)
  • Semana 6: 33 km (+10%)

A semana de recuperação é essencial. Sem ela, o risco de lesão e fadiga crônica aumenta consideravelmente.

Acompanhe o gasto calórico de cada treino

Use a calculadora para saber quantas calorias você queima em cada sessão da sua planilha.

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Adaptando a planilha à sua realidade

Uma planilha precisa ser realista. Considere:

  • Disponibilidade: quantos dias por semana você realmente pode treinar? 3 dias bem feitos valem mais que 5 feitos pela metade.
  • Horário: se só pode correr de manhã, organize os treinos mais intensos para dias em que você dormiu bem.
  • Nível atual: seja honesto. Começar com uma planilha acima do seu nível é receita para lesão.
  • Flexibilidade: imprevistos acontecem. Se perdeu um treino, não tente compensar no dia seguinte. Siga em frente.

Resumo: passo a passo para montar sua planilha

  1. Defina seu objetivo (distância e prazo)
  2. Avalie seu nível atual (quanto corre por semana, pace médio)
  3. Escolha quantos dias vai treinar (3-5)
  4. Distribua os tipos de treino (80% leve, 20% intenso)
  5. Aplique progressão gradual (máximo 10% por semana)
  6. Inclua semana de recuperação a cada 3-4 semanas
  7. Planeje o taper nas 1-2 semanas antes da prova
  8. Ajuste conforme feedback do corpo
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